sexta-feira, 30 de abril de 2010


TODOS DIFERENTES | Cavaco não concorda com grandes investimentos públicos. Como provavelmente não tem confiança com o primeiro-ministro, não se sente à vontade para falar dos problemas reais. É por isso que usa os meios de comunicação para expressar a sua opinião. Se calhar, nos encontros semanais falam de futebol ou de ópera ou do concurso "preço certo". Perante a situação do país, deviam falar de outras coisas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010


FEIRA DO LVRO DE LISBOA | Começa hoje no Parque Eduardo VII e termina no dia 16 de Maio. Agora mais bonita, com pavilhões bem desenhados, acaba por ser um agradável fim de tarde. E às vezes até se encontram livros interessantes.

quarta-feira, 28 de abril de 2010


SÃO CARLOS | O Teatro da Ópera tem novo director artístico. Acaba assim um período de insucesso e nascem as expectativas. Preferia que Pinamonti tivesse sido convidado a regressar. Mas desejo que este senhor tenha muita sorte. O que for soará.

terça-feira, 27 de abril de 2010


O CARVALHO SECOU | Ouvi ontem com muita atenção a conversa entre Carvalho da Silva e Miguel Sousa Tavares. Um dúvida me assalta. O eterno dirigente da confederação sindical acredita mesmo no que diz? Ou o que tem vindo a aprender é para ficar guardado na caixinha das coisas académicas sem importância? O homem andou pelas sociologias enquanto ía dirigindo os trabalhadores, não foi? Como não nos passa pela cabeça que o tenha feito nas horas dedicadas às classes trabalhadoras, fica-nos a certeza de que estamos perante alguém com capacidades intelectuais superiores. Mas esta entrevista, e muitas outras opiniões avulsas, revelam-nos uma inacreditável incapacidade de perceber a realidade. Com doutores destes não vamos longe. Digo eu, que não sou sociólogo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010


OS DOIS GUMES | O problema não está em, agora, os utentes de algumas vias rápidas passarem a pagar portagens para as usarem, em vez de sermos todos a suportar a despesa, mesmo nunca passando pelas ditas. O problema foi aquilo ter começado por ser de borla. Há atitudes que dão jeito em determinadas alturas e depois alterá-las é que são elas. Agora temos que aturar as indescritíveis marchas contra a realidade instigadas pelos patrões dos camiões. Vão ter mais despesas? E quem as não tem? Quem me paga as portagens que diariamente franqueio para me deslocar para o trabalho?
REALIDADE ALTERADA | O 25 de Abril cumpriu-se. Ao fim de 36 anos, nada é como era. Está mesmo tudo ao contrário. Hoje, na comunicação social e nos lugares de encontro, só está mesmo a dar dizer mal do primeiro-ministro e do Governo. E as "greves" convocadas por patrões é que ameaçam paralisar o País. Temos grandes movimentações à porta. Alguém me indica a porta de saída?

domingo, 25 de abril de 2010



Redondo Vocábulo. Animação de Eurico Coelho.

O QUE FAZ FALTA | É uma ideia de Carlos Fragateiro, com encenação de Claudio Hochman, e é o primeiro espectáculo da programação que o Carlos elaborou para o Teatro Villaret.
A história é antiga. Foi escrita por Lope de Vega e conta a revolta do povo de Fuenteovejuna na sua luta contra um poderoso tirano. Depois vem a música de Chico Buarque. A ligação da história com a música resulta num bom casamento. E há casamento por lá. Uma história de amor ilustra esta luta contra o obscurantismo. Se calhar é por isso que o espectáculo se chamou "O Que Faz Falta". Faz falta não permitir a imposição de jugos opressores: sejam eles morais ou culturais.
Este bonito espectáculo trata esse alerta com alegria e boas representações. De entre as boas interpretações, há uma que nitidamente se destaca: Camila Honda. Voz surpresa que espero ouvir muito mais vezes. Estamos de parabéns - autores, actores e público - já que o envolvimento entre todos é uma das coisas bonitas ali vividas.
Só não gostei da imagem promocional. O cartaz não revela a simplicidade estética atingida pela cenografia. É, ao invés disso, agressiva na cor e na letra, não comunicando em nada com o resultado mostrado no palco do Villaret. Mas é só uma pedra no caminho.
O espectáculo ainda pode ser visto. Corram.

sábado, 24 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010


TRIBUNA | Não sou deputado. Não sou político profissional, mas prezo a política. Cumpro todos os meus deveres de cidadão. Vivo a cinquenta quilómetros do local onde trabalho. Desloco-me diariamente em viatura própria. Muitas vezes utilizo transporte público. A quem devo enviar as despesas?

quinta-feira, 22 de abril de 2010


REPÚBLICA ALEGRE | Parece que urge apoiar Manuel Alegre. Há quem associe a essa urgência o "perigo" de se entregar o ceptro a Cavaco de mão beijada. Acontece que isto não é monarquia. Não nos sentimos obrigados a seguir os ungidos por pretensos ideais superiores. A gente vota em quem quer sem enleios nem pressões. Digo eu, que não votei em Alegre e que, pelo andar da carruagem, não vou embarcar na primeira carroça que estacionar à minha frente.

quarta-feira, 21 de abril de 2010


HAMLET, HETERÓNIMOS, PESSOA | Teatro Instável
André Gago [voz] e Carlos Barretto [contrabaixo]

Um concerto poético que junta em palco o contrabaixista e improvisador Carlos Barretto e o actor André Gago, e dá a ouvir a poesia de Mário Cesariny, Antero de Quental, Sophia de Mello Breyner, António Gedeão, Gomes Leal, Jorge de Sena, Mário de Sá-Carneiro, António Nobre, Teixeira de Pascoaes e António Feijó, que, em épocas diferentes, glosaram o tema de Hamlet. Por isso, Shakespeare está também presente e, claro, Fernando Pessoa, nas suas múltiplas vozes: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares.

Dia Mundial do Livro 23 de Abril, 21h30
Biblioteca Municipal de Oeiras

terça-feira, 20 de abril de 2010


BAILINHO DA MADEIRA | Estava tudo num brinco. Na festa havia flores, sorrisos, muitos amigos e até ex-inimigos. Nada como um copo para comemorar uma nova amizade. Não estou a ser cínico. Há momentos em que temos que atirar os amuos para trás das costas. Jardim tem todas as razões para brindar. É por isso que o copo dele já está menos cheio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010


A COISA ESTÁ PRETA | Uma nuvem negra ameaça a economia europeia. E desta vez não é metáfora. Há mesmo pó preto por cima das nossas cabeças que impede a deslocação dos aeroplanos. O desastre é - em termos económicos, é claro - maior do que o 11 de Setembro em Nova Iorque. Se Bin Laden tivesse a capacidade de activar estes impulsos naturais, já o Mauna Loa estaria a vomitar fumaça há muito. Por esta ajuda da Natureza às causas fundamentalistas é que a gente não esperava.

domingo, 18 de abril de 2010

AINDA HÁ BOA GENTE | Assisto atento às notícias fornecidas pela SIC-N. Nisto vejo passar em rodapé uma informação que se me afigura de extrema importância, e que nos alerta para uma visita de Tony Carreira pelas zonas afectadas pela enxurrada na Madeira.
Aguardo, ansioso, que em breve seja anunciada uma piedosa viagem de Marco Paulo pelo território atingido.

NO TEMPO EM QUE OS VACLAV ERAM HAVEL | Tempo houve em que o Presidente da República Checa era um senhor chamado Vaclav Havel. Reagiu à incursão moscovita e dirigiu o país com inteligência e sentido de Estado. Agora anda por lá outro Vaclav. É o labrego da fotografia aí de cima. Na visita que Cavaco Silva lhe fez, resolveu ser grosseiro e atirou para a valeta o tal sentido de Estado. O homem é economista e falou como se estivesse entre alunos de uma daquelas indescritíveis universidades de verão dos partidos. Há quem diga que Cavaco não respondeu à letra. Não estou de acordo. Cavaco respondeu com a frieza que o caso exigiu. E, sendo também conhecedor dos dados económicos, limitou-se a apontar uma realidade que não premeia o trabalho do labrego checo. Vantagem dos de cá.

CASA DO PEIXE | Foi assim que o meu amigo Luís Cruz chamou ao seu novo lugar de trabalho. Transformou uma tasca manhosa em lugar asseado, e só revela os segredos regionais: ementa e vinhos acomodam-se à oferta da zona. E trata, como é bom de ver, de adicionar os melhores peixes ao melhor receituário. Na cozinha está Natércia, moçambicana, que associa aos seus conhecimentos gastronómicos africanos as comedorias sadinas que o Luís lhe sugere. O resultado é delicioso. O atendimento é simpático. Para o comprovar vou lá voltar muito em breve. Apareçam.
A Casa do peixe
Rua General Gomes Freire n.º 138, Setúbal.
Contacto: 969389809

sábado, 17 de abril de 2010



SÃO MANSOS | Parece que Sócrates chamou a tia de Louçã para o debate político. Fê-lo entredentes. Não conta para o debate, portanto. Louça já disse que a questão está encerrada. Fez o que devia. Mas a novela continua - na imprensa escrita e nos blogues - em sucessivos episódios. O nível é baixo, muito baixo. É assim mais ou menos como uma telenovela latino-americana. Pior é impossível.

FADINHO PORTUGUÊS | A cultura portuguesa não pára. Ou não deve. O Rui Bebiano que o diga.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010


ONDE ESTÁ A VOZ DE DEUS? | O número um do Vaticano pede desculpa e desculpa-se. O número dois estraga tudo com uma conversa que já não lembra ao diabo, mais fazendo lembrar um líder de extrema-direita. Deviam combinar esforços. Ambos têm idade para não alinhar em leviandades.

segunda-feira, 12 de abril de 2010


UM BOM EXEMPLO? | Mantive um respeitoso silêncio sobre o caso Cidinha Campos. Contive-me perante o verdadeiro tsunami que inundou blogues e caixas de comentários. Calei-me que nem um rato. Começo sempre por desconfiar destes encalorados justiceiros. Agora o Rui Bebiano veio tirar-me as palavras da boca. Está no seu A Terceira Noite. E eu não digo mais nada.

DIÁRIO VOLÚVEL | Enrique Vila-Matas tem novo livro. É um reboliço, este livro: parte de crónicas publicadas no El País para instalar este desassossego que se lê, foi Pedro Almodovar que o disse, como um romance. E, como diz Ana Cristina Leonardo, no Expresso, "é Enrique Vila-Matas em grande forma (apesar da doença que nos relata), num híbrido literário que não poupa o autor, nem a realidade, nem o que se vai publicando por aí".
Eu, que não sou fanático, tenho o hábito de devorar tudo o que este catalão atira cá para fora. Acho mesmo que a publicação de um novo livro dele deveria ser feriado. Pelo menos municipal, em Barcelona.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010



AFRO-BLUE é uma exposição constituída por doze trabalhos de Pintura e Assemblage de IVO. Os trabalhos funcionam como um sismógrafo de sensações visuais que pretendo “cartografar”, criando simultaneamente um corpo uno e plural. As obras podem remeter para os temas clássicos da pintura, vistos como variações inesgotáveis, um pouco como um músico de Jazz, que toca o mesmo tema centenas de vezes, sem se repetir. O título da exposição é um dos temas que John Coltrane tocava repetidas vezes, tocando-o como se fosse um tema novo. Simultaneamente, Afro-Blue é uma das minhas pinturas, onde um módulo aparentemente se repete, várias vezes, como se de um tema de Jazz se tratasse. Duas obras remetem-nos directamente para o próprio mundo da arte, “A Música” e “A Dança”, podem ser vistos como complementares, uma mais apolínea e a outra mais dionísica.(...)
http://ivopsilva.com.sapo.pt/

AFRO - BLUE | Ivo
Sala do Veado | Museu Nacional de História Natural | Lisboa.
Inauguração, Sexta-feira, 9 de Abril, às 21 horas.
Em exibição até 30 de Abril.
A não perder. Quem avisa...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SANTANA EVENTOS, LDA
Pais do Amaral declarou, naquele circo muito na moda que se instala com frequência na Assembleia da República, que a TVI de José Eduardo Moniz se empenhou em dar cabo do inenarrável governo de Santana Lopes. Santana, mal soube da maldade, saltou para a arena em defesa do seu evento de quatro meses. Santana aproveita todo o oxigénio que lhe resta. Sai do seu descanso à mínima lufada. Valente.

terça-feira, 6 de abril de 2010


MONOCLE
Tem ideias. Tem objectos extraordinários. Tem sugestões. Tem uma loja lá dentro. A MONOCLE de Abril está à venda desde o fim de Março. Peço desculpa por só agora me ter lembrado de falar nisso. Boa leitura. Boa viagem.

segunda-feira, 5 de abril de 2010


A LUTA CONTINUA
A administração de uma companhia de aviação recusou aumento de salários. As hospedeiras resolveram despir-se em sinal de protesto. Fizeram um calendário para divulgar a sua indignação. Pela amostra, foram escolhidas a dedo. Se a moda pega por cá, os ginásios vão ficar lotados muito tempo antes das sessões fotográficas. Deixem lá isso.

CRIME, DISSE ELE
O Cardeal Policarpo lamentou os "pecados da Igreja". Dito assim, até parece que Policarpo acha que os padres pedófilos são "a" Igreja. Não são. São apenas uns pulhas que devem ser expulsos para que sejam julgados fora do jugo divino, e para que não bastem uns pais-nossos e umas avé-marias para que a coisa se resolva. Os Cardeais não têm de pedir desculpa pelos actos dos seus pregadores. Basta que corram com eles da sacristia. É a Justiça que deve tratar do resto. Crime é crime.
O LUGAR DOS POETAS
Existe um grupo no Facebook que proclama: "Queremos um Presidente Poeta". Referem-se, é bom de ver, a Manuel Alegre. Não percebo. Queremos um Presidente Poeta para quê? Um Presidente não deve ser um político? Ou este grupo do Facebook alinha naquela premissa muito popularucha de que os políticos são todos iguais e não prestam para nada? Não sou apreciador da estética poética de Manuel Alegre. E da prestação política do egocêntrico deputado nem falo. Continuo sem ter a certeza de quem é o meu candidato. Confesso que não me sinto nada mal com isso. Mas não me passa pela cabeça exigir poesia no Palácio de Belém.
CAMPANHA NEGRA
Ouvi o deputado europeu Nuno Melo, num debate televisivo, relativizar a questão da pedófilia praticada pelos padres católicos. E garante-nos, naquela postura esclarecedora que o caracteriza, que pedófilia existe em todo o lado, dentro e fora da Igreja. Como se nós não o soubéssemos ou estivéssemos distraídos. O problema não é esse. Não sei se Melo, do alto das suas certezas, terá percebido que fora da Igreja a Justiça faz o que pode. Já lá dentro, entre o proteccionismo despertado por todos estes casos conhecidos, tudo se relativiza. Até parece que Cristo os protege. E agora até já se fala em campanha contra a Igreja Católica. O que o esclarecido deputado do PP não percebeu ainda é que a Igreja tem um papel moralizador na sociedade. E isso acresce-lhe responsabilidade. Logo, estes casos não são toleráveis.

domingo, 4 de abril de 2010


MISÉRIA FRANCISCANA
O franciscano que ofendeu os judeus, e todos nós, digo eu, portou-se como o cardeal Saraiva que revelou a sua vontade de não lavar roupa suja em público. O cardeal Saraiva que lave a sua roupa bem suja na intimidade da sua íntima capela, mas, felizmente, hoje as coisas já não são como no tempo em que os senhores das igrejas eram donos e senhores de tudo o que os rodeava. As queixas que agora surgem, por parte destes senhores e de outros opinadores incomodados com o assunto, fazem lembrar "trancas depois de casa arrombada". Andam desesperados. As coisas correm mal. O Papa anda preocupado. O Papa é um senhor muito velhote que agora querem impor como grande intelectual. Pelos vistos os intelectuais dão jeito quando as coisas correm mal. E agora surgem as "solidariedades": O Facebook está inundado de assumidos comunistas que acumulam com o catolicismo. Alguns sentem-se na obrigação de anunciar que isto é normal. Claro que é. Como o catolicismo é transversal ao comunismo, fascismo, racismo, e outros "ismos" disfarçados. E como agora está na moda defender a Igreja dos males que "injustamente" a incomodam, qualquer dia somos nós, os como eu, agnósticos, que estamos tramados. É por isso que não alinho em militâncias radicais. Não vá o deus desta gente toda castigar-me. Tenham dó de um simples pecador, com vida sexual para além da procriação, e que usa preservativo por mor disso e de muito mais. Tenham dó, mesmo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

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